A implantação do Programa de Agroindústrias em Mato Grosso do Sul, articulado pela deputada federal Camila Jara (PT-MS) e pelo deputado estadual Zeca do PT (PT-MS), representa um avanço concreto para pequenos e médios agricultores do estado. O projeto prevê a implantação de 13 agroindústrias, com aquisição de equipamentos, capacitação técnica e apoio para regulamentação e comercialização da produção.
A iniciativa deve atender diretamente 250 famílias e impactar cadeias produtivas como frutas, mel, mandioca, leite e panificação. Na prática, isso significa agregar valor ao que já é produzido no campo, reduzir perdas e garantir que alimentos saudáveis cheguem à cidade com preço mais justo.
Hoje, uma das principais dificuldades enfrentadas pelos produtores é a falta de estrutura adequada para processamento e venda. Sem uma agroindústria regularizada, muitos alimentos acabam se perdendo na roça ou são comercializados com baixo valor.
Para Maria Pereira, presidente da Associação de Mulheres Rurais e Empreendedoras de Santa Terezinha, a mudança pode ser profunda, especialmente para as mulheres do campo.
“A industrialização é muito bem-vinda para as mulheres da zona rural. A grande maioria sabe fazer muita coisa, mas não pode comercializar porque não tem uma agroindústria apropriada. Tudo que agrega valor precisa de uma cozinha própria. Não pode vender produto feito na cozinha de casa”, explica.
Ela relata que, antes da estrutura existente na associação, muitas frutas eram desperdiçadas por falta de mercado e de condições adequadas de beneficiamento.
“No começo, a gente colhia muita goiaba e dava para os vizinhos ou para os porcos, porque não tinha para quem vender. Não havia renda. Depois da agroindústria, tudo melhorou”, conta.
O projeto prevê capacitação técnica, equipamentos adequados e suporte para que os agricultores possam acessar programas como o PAA e o PNAE, ampliando a venda para órgãos públicos e garantindo escoamento da produção. Também está previsto apoio para reduzir perdas no transporte, um dos gargalos atuais.
Para o consumidor médio, o benefício também é direto. A agricultura familiar produz alimentos frescos e de qualidade, muitas vezes mais nutritivos do que produtos industrializados que passam dias armazenados.
“Quem recebe nossos produtos come comida de verdade. A fruta que vai para o mercado é colhida pequena. A nossa vai madura, fresquinha e colhida no mesmo dia”, destaca Maria.
Para a deputada federal Camila Jara (PT-MS), o programa fortalece quem produz e também quem consome.
“Quando a gente fala em agroindústria, não falamos apenas de equipamentos. Estamos falando de garantir que a produção da agricultura familiar tenha valor, gere renda para as famílias e chegue à mesa dos sul-mato-grossenses como comida de verdade. É um desenvolvimento que começa pequeno, mas transforma a vida de muita gente”, afirmou.
O modelo segue a experiência da agroindústria de derivados de frutas implantada no Assentamento Santa Terezinha, em Itaporã, que já demonstra resultados positivos na geração de renda e organização da produção.
Com previsão de início em abril, o programa busca fortalecer associações rurais, ampliar a produtividade, reduzir perdas pós-colheita e estruturar a cadeia produtiva da agricultura familiar no estado.
Segundo o deputado estadual Zeca do PT (PT-MS), o programa representa um novo momento para a agricultura familiar. “É um novo passo na construção de políticas efetivas capazes de melhorar a vida dos assentados, dos pequenos produtores, dos povos indígenas e quilombolas”, pontuou.
Mais do que equipamentos, a implantação das agroindústrias representa oportunidade, autonomia e desenvolvimento regional. É investimento que começa no campo, passa pela geração de renda e chega à mesa do consumidor.